Emergência no cotidiano

por Tais Godoi Faraco

 

Cérebro, moléculas, aglomerado urbano e o mercado de ações têm todos algo em comum. Na verdade, um conceito em comum. Coisas que nunca paramos de fato para pensar, mas que já deram até nome: Emergência.

Emergência é a definição dada a um sistema complexo no qual a interação entre elementos menores formam um todo único, ou seja, um todo a partir da multiciplicidade de interações simples, sem que, no entanto, haja algum elemento dominador ou que assuma uma liderança. No livro escrito por Steve Johnson sobre o assunto, “Emergência: a Vida Integrada de Formigas, Cérebros, Cidades e Softwares”, foi através da análise da vida biológica de uma espécie de ameba, o Dictyostelium discoideu – cujo comportamento varia de acordo com o ambiente, podendo a ameba se transformar num organismo único ou assumir um caráter de multidão – que Johnson contribuiu para expandir a discussão de emergência em outros níveis, tais como os da ciência e tecnologia.

Um pensamento interessante discorrido no livro acerca de comportamento emergente leva-nos a pensar em muitos exemplos presentes no cotidiano nos quais toda essa teoria poderia ser aplicada. Segundo Johnson, nos comportamentos emergentes as interações são colaterais e é onde se presta atenção na ação dos vizinhos mais próximos ao invés de esperar pelo comando de ordens superiores. Isso é facilmente observável em grandes shows, onde a energia coletiva que todos dizem sentir pode ser muito bem o comportamento emergente sendo praticado pela multidão (sem saberem que estão tratando de emergência, é claro). Como quando começam a bater palmas, normalmente não é um único indivíduo que inicia e muito menos um único que continua.

Prestar atenção nos vizinhos para agir coletivamente é quase o mesmo princípio da Internet. Aqui, há também a prática emergente de interações menores que formam uma sofisticação de todo, uma vez que milhões de usuários compartilham e criam conteúdos dia após dia. Mas o comportamento global é também comumente visto em sites como Facebook, Youtube e outros meios que permitem a socialização de opiniões entre indivíduos. Pode-se até chamar pejorativamente de “modinha”, mas existe academicamente uma explicação e uma teoria acerca disso, que é justamente o prestar atenção nos vizinhos. No Facebook, há certos textos e certos tipos de imagens que circulam repetidamente entre os usuários, mudando-se um conteúdo ou outro. No Youtube, um tipo de comentário fixo que circula em todos os vídeos, mudando-se também o conteúdo. Tudo isso para manter, “localmente” e inconscientemente, a função social de sites de interação entre indivíduos, e também manter no geral a engrenagem funcional da Internet.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Games

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s