Room 666 – Steven Spielberg

por Victoria Vitorino

“Room 666” é um filme rodado por Win Wenders no ano de 1982, quando o cinema passava por uma fase crítica em suas produções, a época da ascensão da TV e o surgimento do vídeo. Win convida alguns cineastas a sentarem numa cadeira em um quarto de hotel e expressarem suas opiniões sobre a crise do mundo cinematográfico.
Muitos dos cineastas relatam dificuldades para a realização dos filmes e uma resistência para a aceitação das novas mídias. Chegaram a dizer que o cinema não sobreviveria à TV e/ou ao vídeo, e por preconceito recusaram de imediato tais mídias, sem pensar que elas na verdade poderiam ajudar o cinema a ganhar força novamente, como foi o que aconteceu com o vídeo, que barateou o custo dos filmes e foi inserido de vez ao modelo de produção.
Porém há os poucos otimistas, afirmando que um meio de comunicação não morre simplesmente, e um deles é Steven Spielberg, que começa seu depoimento no filme dizendo exatamente isso, que é um dos pouco que têm esperanças de que o cinema só se expandirá mais e mais, como de fato aconteceu.
Segundo ele, se os cineastas não sabem fazer outra coisa além de filmes não há como o cinema acabar, pois sempre haverá novas produções, mesmo que estas tenham que se adaptar a novos conceitos. Se for preciso fazer filmes baratos que aparentem orçamentos de milhões, será feito.
Seus maiores medos em relação ao futuro do cinema são ligados ao custo dos filmes. Primeiro põe em pauta o encarecimento progressivo dos filmes, dá exemplos de suas próprias produções e compara o orçamento de quando foram realizados com um de quanto teriam custado se fossem realizados na época do depoimento. Outro receio é em relação aos grandes estúdios de Hollywood, Spielberg critica o modo de pensar das majors que só visam o lucro, tem a visão de que um filme é feito para ser vendido, por isso, aquele que acalçar o maior público e que vender o maior número de cópias é o ideal. O que é preocupante, porque são essas empresas que retém o dinheiro necessário pra o investimento das produções incentivando, assim, o crescimento do cinema. Mas não têm interesse, pois filmes menores não darão lucro suficiente.
Steven Spielberg é um dos poucos apresentados pelo “Room 666” que realmente acreditam no desenvolvimento da indústria cinematográfica, e o único que se preocupa com o que os fatores mercadológicos podem causar de ruim à industria dos filmes e não em como a TV vai, supostamente, destruir o cinema.

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